Corpo cuidado, esquecido e simbólico
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.16.323Palavras-chave:
Corpo, Psiquismo, Recalque, SimbolizaçãoResumo
Na atualidade, os corpos estão em evidência. Eles são cuidados com esmero, consumidos e cultuados como imagem, em nome da felicidade. Paradoxalmente, há um desconhecimento do próprio corpo, apesar dos inúmeros “espelhos” tecnológicos e urbanos. Este corpo foge ao controle da razão, é objeto de mal-estar; nossa relação com ele é sempre tensa. O corpo que se apresenta tão bem cuidado, e aquele ignorado pelo sujeito, compõem dimensões do psíquico, consciente e inconsciente. A psicanálise se interessa por esta última, objeto do recalcamento, e propõe a palavra como recurso capaz de fazer falar a dimensão não representada. Este artigo se propõe discutir, a partir de uma observação da clínica, o corpo em suas dimensões consciente e inconsciente, considerando os cuidados dedicados a ele, na atualidade, o descuido no sentido da interioridade e o trabalho clínico de simbolização. Abordaremos, primeiro, sobre o corpo cuidado, no contexto das exigências mercadológicas da atualidade, e seu mal-estar; depois, o corpo esquecido, no âmbito do recalque; e, por último, o trabalho psíquico de simbolização. Concluímos que o corpo funciona como metáfora, seu não-lugar é o não-lugar do sujeito; apreendê-lo é um trabalho interminável.
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