A violência sexual e a repetição
a importância da função do segredo para a clínica psicanalítica e o tratamento na instituição de saúde
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.16.325Palavras-chave:
Abuso sexual, Psicanálise, Repetição, Tratamento, Serviços de Saúde PúblicaResumo
Trata-se do trabalho do psicanalista em hospital público, com mulheres adultas acometidas por violência sexual na infância, que mantiveram a experiência em segredo, e que se apresentaram no hospital com algum adoecimento. Num primeiro momento apresentaremos resultados dos dados obtidos no trabalho inicial de assistência psicológica oferecido, apontando história de vida em relação à violência sexual, dificuldades decorrentes do evento e presença de quadro psicopatológico atual, bem como nossa clínica, na qual pudemos concluir que esse suposto trauma não denunciado na época do episódio vivido, possivelmente retorna na vida adulta como sintoma, muitas vezes no corpo e/ou como repetição denunciando o que não pôde ser dito. Num segundo momento, o objetivo do nosso artigo é o de apontar a importância da escuta do “segredo” para que uma mulher que tenha vivido essa experiência na infância, possa ser tratada na vida adulta não só na clínica particular, mas em instituições de saúde, apostando que a qualidade da assistência psicológica oferecida está diretamente relacionada à compreensão clínica da função do segredo como possível manutenção de uma posição subjetiva que não pode ser revelada. Para isso, faremos uma articulação violência sexual, segredo e psicanálise.
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