Reflexões críticas sobre o constructo de alexitimia
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.17.342Palavras-chave:
alexitimia, psicossomática, psicologia da saúde, psicologia médica, psicologia clínicaResumo
O trabalho discute o constructo de alexitimia, sua epistemologia e aplicações práticas. Foi introduzido por Sifneos, referindo-se a pessoas com dificuldades para identificar e discriminar suas emoções. Sendo utilizado inicialmente no contexto dos denominados “transtornos psicossomático” para caracterizar os portadores de tais patologias; posteriormente adquiriu uma configuração canônica que postula, os conflitos não representados psiquicamente não alcançam expressão verbal, tendem à manifestação somática. A partir de revisão bibliográfica e de cinco estudos clínicos, objetivamos refletir sobre o constructo. O método inclui entrevistas semidirigidas, entrevistas estruturadas e testes projetivos. Os resultados evidenciaram pacientes capazes de falar sobre os próprios sentimentos e nomeá-los, não apresentando, portanto, a configuração mental característica da alexitimia. Concluímos que o conceito tornou-se elástico e impreciso, enquadrando o paciente em uma teoria sem considerar seu funcionamento mental. A alexitimia, da forma como vem sendo utilizada, tem se constituído, a nosso ver, no Leito de Procusto em Psicossomática.
Downloads
Referências
Adrados, I. (1980). Teoria e prática do teste Rorschach. Petrópolis, RJ: Vozes.
Alexander, F. (1950). Psychosomatic medicine, its principles and applications.New York: Norton.
Almeida, V., & Machado, P. P. P. (2004). Somatização e alexitimia: um estudo nos cuidados de saúde primários. International Journal of Clinical and Health Psychology, 4(2), 285-298.
Branco, V. L. (2006). Psicanálise e psicossomática: uma revisão. Revista Portuguesa de Psicossomática, 7(1-2), 257-267. Recuperado em 10/05/2014 de http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=28770220
Brandão, J. S. (1997). Dicionário mítico-etimológico da mitologia grega. Petrópolis, RJ: Vozes
Carneiro, B. V. (2008). Propriedades psicométicas da OAS – Observer
Alexythimia Scale: versão brasileira. Tese de Doutorado, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, SP.
Cohen, K., Auld, F., & Brooker, H. (1994). Isalexithymia related to psychosomatic disorder and somatizing? Journal of Psychosomatic Research, 38(2), 119-127. DOI: https://doi.org/10.1016/0022-3999(94)90085-X
De Bernardis, D., Serrogoni, M., Rapidini, G., Carano, A., Valchera, A., Iasenoli, F., ... & Di Giannantonio, M. (2014). Alexithymia, suicidal ideation, and serum lipid levels among drug-naïve outpatients with obsessive-compulsive disorder. Revista Brasileira de Psiquiatria, 36, 125-189. DOI: https://doi.org/10.1590/1516-4446-2013-1189
Eksterman, A. (1994). Abordagem psicodinâmica dos sintomas somáticos. Revista Brasileira de Psicanálise, 28(1), 9-24.
Freud, S. (1976). Sobre os critérios para destacar da neurastenia uma síndrome particular intitulada 'neurose de angústia' (J. Salomão, Trad., Vol. 3, pp. 107-137). Rio de Janeiro, Brasil: Imago. (Trabalho original publicado em 1895)
Freyberger, H. (1977). Supportive psychotherapeutic techniques. In primary and secondary alexithymia. Psychother Psychosom, 28, 337-342. DOI: https://doi.org/10.1159/000287080
Japiassu, H. (1983). A pedagogia da incerteza e outros estudos. Rio de Janeiro: Imago.
Koehler, O., & Konrad, L. (2000). Prefácio. In: C. Darwin, A expressão das emoções no homem e nos animais (L. S. Lobo Garcia, Trad., p. 07). São Paulo: Companhia das Letras.
Krystal, H. (1979). Alexithymia and psychotherapy. American Journal of Psychotherapy, 33, 17-31. DOI: https://doi.org/10.1176/appi.psychotherapy.1979.33.1.17
Lane, R. D., Sechrest, L., Riedel, R., Shapiro, D. E., & Kaszniak, A W. (2000). Pervasive emotion recognition deficit common to Alexithymia and repressive copingstyle. Psychosomatic Medicine, 62, 492-501. DOI: https://doi.org/10.1097/00006842-200007000-00007
Larsen, K. J., Brand, N., Bermond, B., & Hijman, R. (2003). Cognitive and emotional characteristics of Alexithymia: a review of neurobiological studies. Journal of Psychosomatic Research, 54, 533-541. DOI: https://doi.org/10.1016/S0022-3999(02)00466-X
Lesser, I. M. (1981). A review of the alexithymia concept. Psychosomatic Medicine, 43, 531-541. DOI: https://doi.org/10.1097/00006842-198112000-00009
Lipowski, Z. L. (1984). Psychosomatic Medicine. Vol. 46, No. 2 (March/April) 153-178 DOI: https://doi.org/10.1097/00006842-198403000-00007
Luckmann, T & Berger, P. L. (2010). A Construção Social da Realidade. Lisboa: Dinalivro.
Mannoni, O. (1991). O divã de Procusto. In: J. Mcdougall, O. Mannoni, D. Vasse & L. Dethiville, O divã de Procusto: o peso das palavras, o mal-entendido do sexo (pp. 11-28). Porto Alegre: Artes Médicas.
Martins, T. T., & Rodrigues, A. L. (2010). Revisitando a retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI): estudo de caso e revisão de literatura (manuscrito). In: Anais do 18 Congresso Brasileiro de Medicina Psicossomática, Gramado, Brasil.
Morrison, S. L., & Pihl, R. O. (1989). Psychometrics oh the Schalling-Sifneos and Toronto Alexithymia Scale. Psychotherapy and Psychosomatics, 51, 83-90. DOI: https://doi.org/10.1159/000288140
Nemiah, J. C., Freyberger, H., & Sifneos, P. E. (1976). Affectand fantasy in patients with psychosomatic disorders. In: O. Hill, Modern trends in psychosomatic medicine (3a ed., pp. 430-439). London: Butterworth.
Norton, N. C. (1989). Three Scales of Alexithymia: Do they measure de samething? Journal of personality assessment, 53(3), 621-637. DOI: https://doi.org/10.1207/s15327752jpa5303_18
Oliveira, W. L. (2011). Investigação psicológica de pacientes em unidade de terapia intensiva. Dissertação de Mestrado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.
Pereira, M. G. (2012). Artigos Científicos: como redigir, publicar e avaliar (pp. 47-48). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
Pirlot, G. & Corcos, M. (2014). Compreensão da alexitimia na abordagem psicanalítica. Livro Anual de Psicanálise XXVIII-2. São Paulo: Editora Escuta.
Porcelli, P., Taylor, G. J., Bagby, R. M., & De Carne, M. (1999). Alexithymia and functional gastrointestinal disorders: A comparison with inflammatory bowel disease. Psychotherapy Psychosomatic, 68, 263–269. doi: 1159/000012342. DOI: https://doi.org/10.1159/000012342
Psychosomatic Medicine (1939). Introductory statement - The editors. vol. 1, no.1. DOI: https://doi.org/10.1097/00006842-193901000-00001
Risso, I., & Rodrigues, A. L. (2008). Um estudo de caso em paciente que apresenta processo de somatização e sintomas histéricos, hipocondríacos e psicóticos. In: Anais do 17 Congresso Brasileiro de Medicina Psicossomática, Recife, Brasil.
Rodrigues, A. L., Campos, E. M. P., & Pardini, F. (2010). Mecanismo de formação dos sintomas. In: M. R. Spinelli, (Org.), Introdução a psicossomática (pp. 131-154). São Paulo: Atheneu.
Santos-Silva, C., & Rodrigues, A. L. (2010). O psicodiagnóstico de paciente com queixa dermatológica (dermatite atópica). In: Anais do 18 Congresso Brasileiro de Medicina Psicossomática, Gramado, Brasil.
Silva, F. R., & Caldeira, G. (2010). Alexitimia e pensamento operatório: a questão do afeto em psicossomática. In: J. Melo Filho & M. Burd (Eds.), Psicossomática hoje (pp. 158–166). Porto Alegre: ARTMED.
Silva, E. F., & Ebert, T. N. H. (Coords.). (1984). O teste de apercepção temática de Murray (TAT) na cultura brasileira. Rio de Janeiro: FGV.
Sifneos, P. (1972). Short-term psychotherapy and emotional crisis. Cambridge: University Press.
Sifneos, P.(1989). Psicoterapia dinâmica breve, avaliação e técnica. Porto Alegre: Artes Médicas.
Sifneos, P. E., Apfel-Savitz, R., & Frankel, F. H. (1977).The phenomenon of ‘alexithymia’ - Observations in neurotic and psychosomatic patients. Psychotherapy Psychosomatic, 28, 47–57. doi:10.1159/000287043. DOI: https://doi.org/10.1159/000287043
Sproveri, M. H. & Assumpção Jr., F. B. (1997). Estresse e Alexitimia em pais de crianças assintomáticas. Temas, 53, 85-97.
Takushi, A. L., Rodrigues, A. L., Dantas, M. S., & Risso, I. (2007). O divã de Procusto. In: Anais do 7 Congresso Sul Mineiro de Medicina Psicossomática, Caxambu, Brasil.
Taylor, G. V. (1984). Alexithymia: concept, measurement, and implications for treatment. The American Journal of Psychiatry, 141, 725-732. DOI: https://doi.org/10.1176/ajp.141.6.725
Taylor, G. V. (2000). Recent developments in Alexithymia theory and research. Canadian Journal of Psychiatry, 45, 134-172. DOI: https://doi.org/10.1177/070674370004500203
Taylor, G. J., & Bagby, R. M. (2004). New trends in alexithymia research. Psychotherapy Psychosomatic, 73, 68–77. doi: 10.1159/000075537. DOI: https://doi.org/10.1159/000075537
Torres, A. R., & Crepaldi, A. L. (2002). Sobre o transtorno de pânico e a hipocondria: uma revisão. Revista Brasileira de Psiquiatria, 24(3), 144-151. doi: dx.doi.org/10.1590/S1516-44462002000300009. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-44462002000300009
Valente, G. B. (2012). A questão da simbolização na Psicossomática: estudo com pacientes portadores de transtorno neurovegetativo somatoforme e de transtorno de pânico. Dissertação de Mestrado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.
Yoshida, E. M. P. (2007). Validade da versão em Português da Toronto Alexithymia Scale (TAS) em amostra clínica. Psicologia: Reflexão e Crítica, 20(3), 389-396. Yoshida, E. M. P., & Carneiro, B. V. (2009). Alexitimia: uma revisão do conceito. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 25(1), 103-108. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-79722007000300006
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
A licença CreativeCommons “Atribuição 4.0 Internacional" – CC BY permite "copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato e remixar, transformar e criar a partir do material, para qualquer fim, mesmo que comercial." Ainda de acordo com a licença CC BY, os autores devem "atribuir o devido crédito, fornecer um link para a licença e indicar se foram feitas alterações". Essas alterações devem ser indicadas sem sugerir que a Revista da SBPH apoie o seu uso. Mais informações sobre a licença em: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt