Reflexões críticas sobre o constructo de alexitimia

Autores

  • Avelino Luiz Rodrigues Universidade de São Paulo
  • Angélica Lie Takushi Universidade de São Paulo
  • Clayton Santos Silva Universidade de São Paulo
  • Iolanda Risso Universidade de São Paulo
  • Sandra Elizabeth Bakal Roitberg Universidade de São Paulo
  • Tatiana Thaís Martins Universidade de São Paulo
  • Walter Lisboa Oliveira Universidade de São Paulo
  • Elisa Maria Parayba Campos

DOI:

https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.17.342

Palavras-chave:

alexitimia, psicossomática, psicologia da saúde, psicologia médica, psicologia clínica

Resumo

O trabalho discute o constructo de alexitimia, sua epistemologia e aplicações práticas. Foi introduzido por Sifneos, referindo-se a pessoas com dificuldades para identificar e discriminar suas emoções. Sendo utilizado inicialmente no contexto dos denominados “transtornos psicossomático” para caracterizar os portadores de tais patologias; posteriormente adquiriu uma configuração canônica que postula, os conflitos não representados psiquicamente não alcançam expressão verbal, tendem à manifestação somática. A partir de revisão bibliográfica e de cinco estudos clínicos, objetivamos refletir sobre o constructo. O método inclui entrevistas semidirigidas, entrevistas estruturadas e testes projetivos. Os resultados evidenciaram pacientes capazes de falar sobre os próprios sentimentos e nomeá-los, não apresentando, portanto, a configuração mental característica da alexitimia. Concluímos que o conceito tornou-se elástico e impreciso, enquadrando o paciente em uma teoria sem considerar seu funcionamento mental. A alexitimia, da forma como vem sendo utilizada, tem se constituído, a nosso ver, no Leito de Procusto em Psicossomática.

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Biografia do Autor

Avelino Luiz Rodrigues, Universidade de São Paulo

Professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. 

Angélica Lie Takushi, Universidade de São Paulo

Membro do Laboratório Sujeito e Corpo – SuCor: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Psicossomática – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Clayton Santos Silva, Universidade de São Paulo

Membro do Laboratório Sujeito e Corpo – SuCor: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Psicossomática – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Iolanda Risso, Universidade de São Paulo

Membro do Laboratório Sujeito e Corpo – SuCor: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Psicossomática – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Sandra Elizabeth Bakal Roitberg, Universidade de São Paulo

Doutora em Filosofia da Ciência pela Universidade de São Paulo, Membro do Laboratório Sujeito e Corpo – SuCor: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Psicossomática – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Tatiana Thaís Martins, Universidade de São Paulo

Membro do Laboratório Sujeito e Corpo – SuCor: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em
Psicossomática – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Walter Lisboa Oliveira, Universidade de São Paulo

Membro do Laboratório Sujeito e Corpo – SuCor: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Psicossomática – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Elisa Maria Parayba Campos

Professora Associada do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP; Coordenadora do Laboratório Centro Humanístico de Recuperação em Oncologia e Saúde – CHRONOS – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Diretório de Grupos de Pesquisas Cnpq.

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Publicado

02-01-2014

Como Citar

Rodrigues, A. L., Takushi, A. L., Silva, C. S., Risso, I., Roitberg, S. E. B., Martins, T. T., … Campos, E. M. P. (2014). Reflexões críticas sobre o constructo de alexitimia. Revista Da Sociedade Brasileira De Psicologia Hospitalar, 17(1), 140–157. https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.17.342

Edição

Seção

Pesquisa original