“Amor Diário”
um recurso terapêutico no contexto da prematuridade e na construção da parentalidade
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.v25.486Palavras-chave:
unidade de terapia intensiva neonatal, narrativas, processos terapêuticos, parentalidadeResumo
A hospitalização de bebês prematuros em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal representa para os pais uma ameaça à vida, o que pode dificultar a construção do vínculo pais-bebê e o processo de elaboração acerca da experiência vivida. O diário é uma ferramenta terapêutica que proporciona, às famílias, a possibilidade de narrativas e elaboração de sentimentos. O presente estudo tem como objetivo compreender o processo da parentalidade de pais de prematuros internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, por meio da construção de um diário. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, realizada em um hospital filantrópico do norte do estado do Rio Grande do Sul, com sete casais e uma mãe, de bebês prematuros hospitalizados, utilizando a proposta de um diário intitulado: Amor Diário. O conteúdo foi analisado por meio de Análise Temática de Conteúdo apoiada em entrevista semiestruturada com perguntas norteadoras. Destas perguntas, surgiram 4 temas: experiências acerca da gestação, nascimento e hospitalização do bebê em UTIN; elaboração e ressignificação de vida; construção de vínculo e parentalidade; e contribuições do diário. Os resultados sugerem que a construção de um diário durante a hospitalização possibilita, aos pais, processos terapêuticos de ressignificação do momento vivido e o fortalecimento da parentalidade.
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