Morte no câncer infanto-juvenil

significados atribuídos pela família à atuação da equipe hospitalar

Autores

  • Mikaela Aline Bade München Universidade Federal de Santa Maria
  • Cristine Gabrielle da Costa dos Reis Universidade Federal de Santa Catarina
  • Alberto Manuel Quintana Universidade Federal de Santa Maria
  • Fernanda Nardino Universidade Federal de Santa Maria
  • Natalia Schopf Frizzo Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
  • Sandra Regina Sallet Universidade Federal de Santa Maria
  • Paula Moraes Pfeifer Universidade Federal de Santa Maria
  • Leodi Conceição Meireles Ortiz Universidade Federal de Santa Maria
  • Denise Pasqual Schmidt Hospital Universitário de Santa Maria
  • Miguel Armando Bick Hospital Universitário de Santa Maria

DOI:

https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.24.60

Palavras-chave:

neoplasias, morte, criança, família, relações profissional-família

Resumo

A morte, no contexto do câncer infanto-juvenil, adquire caráter complexo, sendo descrita pelos pais como uma dor inominável. Este artigo objetivou compreender os significados atribuídos à atuação da equipe hospitalar pelos familiares de crianças/adolescentes que faleceram com câncer. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório. Utilizou-se como instrumentos um grupo focal e quatro entrevistas semiestruturadas com oito familiares de pacientes falecidos. Os dados foram analisados através da Análise de Conteúdo Temática e organizados em categorias. A partir da análise das narrativas dos participantes, identificou-se que a morte, frequentemente, foi relacionada a demora no estabelecimento de um diagnóstico e consequentemente do início do tratamento.

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Biografia do Autor

Mikaela Aline Bade München, Universidade Federal de Santa Maria

Psicóloga pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Santa Cruz - Atenção em Urgência e Emergência.

Cristine Gabrielle da Costa dos Reis, Universidade Federal de Santa Catarina

Psicóloga e Mestre pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Alberto Manuel Quintana, Universidade Federal de Santa Maria

Psicólogo. PhD em Bioética. Professor do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Fernanda Nardino, Universidade Federal de Santa Maria

Psicóloga e Mestre pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Residente do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva.

Natalia Schopf Frizzo, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Psicóloga. Mestra em Psicologia e Saúde (UFCSPA); Residência em Gestão e Atenção Hospitalar - Oncologia-Hematologia (UFSM); Especialista em Cuidados Paliativos (Hospital Israelita Albert Einstein); Especialista em Psicologia Hospitalar (CFP); Coordenadora do serviço de psicologia e do Núcleo de Cuidados Paliativos (Oncotrata Oncologia Integrativa).

Sandra Regina Sallet, Universidade Federal de Santa Maria

Psicóloga. Mestre em Psicologia (UFSM). Especialista em Neuropsicologia pelo CFP. Psicóloga do Hospital Universitário de Santa Maria – HUSM.

Paula Moraes Pfeifer, Universidade Federal de Santa Maria

Psicóloga. Mestre em Psicologia da Saúde (UFSM). Psicóloga Clínica no Instituto de Cardiologia/Fundação Universitária de Cardiologia. Preceptora da Residência Integrada em Saúde: Cardiologia (RISC).

Leodi Conceição Meireles Ortiz, Universidade Federal de Santa Maria

Pedagoga. Doutora em Educação. Coordenadora do Setor Educacional do Hospital Universitário de Santa Maria/Universidade Federal de Santa Maria.

Denise Pasqual Schmidt, Hospital Universitário de Santa Maria

Assistente Social. Mestre em Educação (UFSM) Servidora Pública Federal. Assistente Social do Centro de Tratamento da Criança com Câncer do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM).

Miguel Armando Bick, Hospital Universitário de Santa Maria

Enfermeiro. Mestre pelo Programa Profissionalizante em Materno Infantil (UFN). Especialista em oncologia (EBSERH). Enfermeiro do Ambulatório de Oncologia do Hospital Universitário de Santa Maria RS (HUSM).

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Publicado

20-01-2021

Como Citar

München, M. A. B., Reis, C. G. da C. dos, Quintana, A. M., Nardino, F., Frizzo, N. S., Sallet, S. R., … Bick, M. A. (2021). Morte no câncer infanto-juvenil: significados atribuídos pela família à atuação da equipe hospitalar. Revista Da Sociedade Brasileira De Psicologia Hospitalar, 24(1), 3–15. https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.24.60

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