O que Freud nos ensina sobre a relação do inconsciente com a morte?

Autores

  • Arthur Kelles Andrade Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em Psicologia

DOI:

https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2025.v28.Esp1.862

Palavras-chave:

Freud, Sigmund, 1856-1939, Morte, Psicanálise

Resumo

Este trabalho busca apontar as principais contribuições freudianas sobre a relação do sujeito com sua própria morte. Trata-se de uma pesquisa teórica tendo como base os principais trabalhos em que Freud aborda a questão da finitude. Foi possível extrair de Freud diversos pontos, como: a morte não se inscreve no inconsciente, isto é, o homem consegue imaginar e simbolizar a morte de terceiros, mas não a sua; o momento em que ele sente a morte como possível é quando alguém querido morre ou quando ele mesmo está enfermo; a associação da morte com o silêncio, com a incapacidade de ser descrita em palavras; e três possíveis atitudes do homem diante de sua transitoriedade. O artigo também trata de como Freud lidou com sua própria mortalidade, a partir de seu diagnóstico de câncer. O trabalho oferece subsídios importantes para a prática do psicólogo hospitalar na escuta do sofrimento psíquico diante da finitude, ajudando a compreender os modos pelos quais o sujeito lida com a iminência da morte, seja a sua ou a de outros.

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Publicado

03-07-2025

Como Citar

Andrade, A. K. (2025). O que Freud nos ensina sobre a relação do inconsciente com a morte?. Revista Da Sociedade Brasileira De Psicologia Hospitalar, 28(Esp), e001. https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2025.v28.Esp1.862