Atitude de profissionais de saúde diante do comportamento suicida de gestantes e puérperas
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2025.v28.Esp_1.896Palavras-chave:
Pessoal da saúde, Intervenção na crise, Comportamento autodestrutivo, Gravidez, PuerpérioResumo
O comportamento suicida é uma das principais causas evitáveis de mortalidade materna, que pode ser agravado pela negligência das questões emocionais durante a gestação. Compreender a atitude de profissionais da saúde (PDS) sobre o manejo de gestantes e puérperas em sofrimento psíquico, incluindo comportamento suicida, e identificar as dificuldades enfrentadas nesse cuidado. Pesquisa quanti-qualitativa, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 84384924.1.0000.5385), com coleta de dados via Google Forms a partir de questionário sociodemográfico, o Questionário de Atitudes frente ao Comportamento Suicida (QACS), condutas realizadas e questões abertas sobre gestantes em sofrimento. Participaram 46 profissionais da saúde. O teste de Kruskal-Wallis, seguido do pós-teste de Dunn com correção de Holm, indicou diferenças significativas entre categorias profissionais de Psicologia e Enfermagem nos escores de capacidade de cuidado a pacientes com comportamento suicida e de direito ao suicídio. Para fins comparativos com a literatura prévia, também foram conduzidas análises de ANOVA com pós-teste de Tukey-Kramer. O escore total médio foi de 52,37 (DP=10,98) indicando que, apesar do reconhecimento da importância do cuidado, ainda há dificuldades e ambivalências que podem impactar a prática clínica. A análise qualitativa, com 8 participantes, apontou desafios como insegurança, ausência de protocolo, sobrecarga de trabalho, encaminhamento e fragilidades na articulação interdisciplinar e intersetorial. Evidenciou-se a importância da corresponsabilização do PDS para um cuidado integral, que promova uma escuta qualificada, além do envolvimento da rede de apoio no plano de cuidado. Estudo exploratório, evidenciou que o manejo de gestantes e puérperas em sofrimento demanda capacitação contínua, estratégias de cuidado de saúde mental para PDS, abordagens integradas, fluxograma e suporte institucional contínuo para qualificar a assistência e prevenir desfechos adversos.
Downloads
Referências
Almeida, A. S., & Vedana, K. G. G. (2020). Formação e atitudes relacionadas às tentativas de suicídio entre profissionais de estratégias de saúde da família. SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas, 16(4), 92-99. https://doi.org/10.11606/issn.1806-6976.smad.2020.165054. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1806-6976.smad.2020.165054
Australian Institute of Health and Welfare. (2020). Maternal deaths in Australia: 2015–2017. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://www.aihw.gov.au/getmedia/8acc8a97-3af3-4ca4-99e7-829167e57d50/aihw-per-106.pdf?v=20230605182723&inline=true.
Azevedo, R. C. S., Camacho, L. F., & Albaracin, G. C. (2025). Saúde mental, distúrbios psiquiátricos e gravidez. In A. L. Silva Filho, C. E. Fernandes, & M. C. O. Wender (Eds.), Tratado de obstetrícia (2a ed., pp. 497-507) . Febrasgo.
Baldaçara, L., Calfat, E. L. B., Périco, C. A.-M., Pinto, F. I., Rocha, G. A., Leite, V. S., Porto, D. M., Grudtner, R. R., Diaz, A. P., Meleiro, A. M. A. S., Silva Filho, H. C., Tung, T. C., Quevedo, J., Silva, A. G. (2024). Diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria para o manejo do comportamento suicida: triagem e avaliação: tradução revisada e ampliada de: https://doi.org/10.1590/1516-4446-2020-0994 e https://doi.org/10.1590/1516-4446-2020-1108. Debates em Psiquiatria, 14, 1–12. https://doi.org/10.25118/2763-9037.2024.v14.1260. DOI: https://doi.org/10.25118/2763-9037.2024.v14.1260
Baptista, M. N., Cunha, F. A., Batista, H. H. V., & Cremasco, G. S. (2022). Programas de prevenção ao suicídio: revisão integrativa da literatura. Psicologia: Teoria e Prática, 24(2), ePTPPA14095. https://doi.org/10.5935/1980-6906/ePTPPA14095.pt. DOI: https://doi.org/10.5935/1980-6906/ePTPPA14095.pt
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70. (Trabalho original publicado em 1977).
Bauer, A., Parsonage, M., Knapp, M., & Iemmi, V. (2014). The costs of perinatal mental health problems. Personal Social Services Research Unit. https://doi.org/ 10.13140/2.1.4731.6169.
Bertolote, J. M. (2012). O suicídio e sua prevenção. Editora Unesp.
Bonesso, C.F., & Auriani, M. (2022). A romantização da maternidade nas redes sociais: impacto psicológicos, opressão de gênero e idealização. Arte 21, 18(1), 60–80. https://doi.org/10.62507/a21.v18i1.431. DOI: https://doi.org/10.62507/a21.v18i1.431
Boniol, M., McIsaac, M., Xu, L., Wuliji, T., Diallo, K., & Campbell, J. (2019). Gender equity in the health workforce: analysis of 104 countries. World Health Organization. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/311314/WHO-HIS-HWF-Gender-WP1-2019.1-eng.pdf.
Botega, N. J. (2017). Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. Artmed.
Botega, N. J. (2022). Crise suicida: avaliação e manejo. Artmed.
Botega, N. J., Reginato, D. G., Silva, S. V., Cais, C. F. S., Rapeli, C. B., Mauro, M. L. F., Cecconi, J. P., & Stefanello, S. (2005). Nursing personnel attitudes towards suicide: the development of a measure scale. Brazilian Journal of Psychiatry, 27(4), 315–318. https://doi.org/10.1590/S1516-44462005000400011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-44462005000400011
César, R. C. B., Loures, A. F. & Andrade, B. B. S. (2020). A romantização da maternidade e a culpabilização da mulher. Revista Mosaico, 10(2 supl), 68-75. 14 (1). https://doi.org/10.21727/rm.v10i2Sup.1956. DOI: https://doi.org/10.21727/rm.v10i2Sup.1956
Conselho Federal de Psicologia. (2019). Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) nos serviços hospitalares do SUS. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/11/ServHosp_web1.pdf.
Costa, A. N. B., Almeida, E. C. B., & Melo, T. S. (2018). Elaboração de protocolos assistenciais à saúde como estratégia para promover a segurança do paciente. Revista Brasileira de Educação e Saúde, 8(1), 25–30. https://doi.org/10.18378/rebes.v8i1.5479. DOI: https://doi.org/10.18378/rebes.v8i1.5479
Creswell, J. W., & Plano Clark, V. L. (2013). Pesquisa de métodos mistos (2a ed.). Penso.
De Leo, D., Draper, B.M., Snowdon, J. & Kõlves, K. (2013). Contacts with health professionals before suicide: missed opportunities for prevention?. Comprehensive Psychiatry, 54(7), 1117–1123. https://doi.org/10.1016/j.comppsych.2013.05.007. DOI: https://doi.org/10.1016/j.comppsych.2013.05.007
Ferreira, G. S., Fajardo, A. P., & Mello, E. D. (2019). Possibilidades de abordagem do tema do suicídio na Estratégia Saúde da Família. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 29(4), e290413. https://doi.org/10.1590/S0103-73312019290413. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-73312019290413
Ferreira, M. L., Vargas, M. A. O., Rodrigues, J., Trentin, D., Brehmer, L. C. F. & Lino, M.M. (2018). Comportamento suicida e atenção primária à saúde. Enfermagem em Foco, 9(4), 50-55. https://doi.org/10.21675/2357-707X.2018.v9.n4.1803. DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2018.v9.n4.1803
Gabriel, J. C. & Mendes, M. L. R. (2023). A ideação suicida: fatores de risco no período perinatal. Revista Bionorte, 12(suppl 3), 37-43. https://doi.org/10.47822/bn.v12iSuppl.3.800.
Grillo, M. F. R., Collins, S. M. B., Zandonai, V. R., Zeni, G., Alves, L. P. C., & Scherer, J. N. (2024). Análise de fatores associados à saúde mental em gestantes e puérperas no Brasil: uma revisão da literatura. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 73(2), e20230098. https://doi.org/10.1590/0047-2085-2023-0098. DOI: https://doi.org/10.1590/0047-2085-2023-0098
Khalifeh, H., Hunt, I. M., Appleby, L. & Howard, L. M. (2016). Suicide in perinatal and non-perinatal women in contact with psychiatric services: 15 year findings from a UK national inquiry. Lancet Psychiatry, 3(3), 233–242. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(16)00003-1. DOI: https://doi.org/10.1016/S2215-0366(16)00003-1
Ludermir, A. B., Valongueiro, S., Araújo, T. V. B. (2014). Transtornos mentais comuns e violência por parceiro íntimo durante a gravidez. Revista de Saúde Pública, 48(1), 29–35. https://doi.org/10.1590/S0034-8910.2014048004538. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-8910.2014048004538
Minayo, M. C. S. (2012). Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência e Saúde Coletiva, 17(3), 621–626. https://doi.org/10.1590/S1413-81232012000300007. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-81232012000300007
Ministério da Saúde (BR), & Fundação Oswaldo Cruz. (2024). Saúde mental dos trabalhadores dos serviços de saúde: diretrizes para formulação de políticas públicas em emergências em saúde pública. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/saude-do-trabalhador/saude-mental-dos-trabalhadores-dos-servicos-de-saude.
Ministério da Saúde (BR). (2005). Portaria n. 1.067, de 4 de julho de 2005: institui a Política Nacional de Atenção Obstétrica e Neonatal. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://www.mpac.mp.br/wp-content/uploads/portaria-n-1067-2005-institui-a-poltica-nacional-de-ateno-obsttrica-e-neonatal-2.pdf.
Ministério da Saúde (BR). (2011a). Portaria n. 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html.
Ministério da Saúde (BR). (2011b). Portaria n. 1.459, de 24 de junho de 2011: institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS: a Rede Cegonha. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html.
Ministério da Saúde (BR). (2013). Política Nacional de Humanização: HumanizaSUS. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf.
Oliveira, C. P. (2024). A romantização da maternidade e os impactos no psiquismo da mulher: desafios contemporâneos (Trabalho de conclusão de curso, Centro Universitário Serra dos Órgãos). Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://bibonline.unifeso.edu.br/pergamumweb/downloadArquivo?vinculo=NUxUSzdQMFkyOWtSVzF3Y21WellUMHpORGttWVdObGNuWnZQVGcxTWpFd0puTmxjVkJoY21GbmNtRm1iejB4Sm5ObGNWTmxZMkZ2UFRnbWEyRnlaR1Y0UFU0bWJHOWpZV3hCY25GMWFYWnZQVU5QVFZCQlVsUkpURWhCVFVWT1ZFOG1ibTl0WlVOaGJXbHVhRzg5TURBd01ETTRMekF3TURBek9EWXlMbkJrWmc9PVoxWUZVN1Q=&nomeExtensao=.pdf.
Pimenta, L. F. A., Brito, A. A. C., Lima, A. I. O., & Santos, P. F. B. B. (2024). Prevenção ao suicídio na Atenção Primária, na percepção de profissionais de saúde. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 34, e34091. https://doi.org/10.1590/S0103-7331202434091pt. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-7331202434091pt
Reid, H.E., Pratt, D., Edge, D., & Wittkowski, A. (2022). Maternal suicide ideation and behaviour during pregnancy and the first postpartum year: a systematic review of psychological and psychosocial risk factors. Frontiers in Psychiatry, 13, 765118. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2022.765118. DOI: https://doi.org/10.3389/fpsyt.2022.765118
Rosa, S. C. D., Reis, M. J., Fernandes, M. N. F., Chaves, M. & Esteves, R. B. (2021). Saúde mental da equipe multiprofissional de Centro de Atenção Psicossocial durante enfrentamento de crises inerentes ao trabalho. Research, Society and Development, 10(11), e298101119554. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i11.19554. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i11.19554
Secretária de Estado da Saúde (DF), Comitê Permanente de Prevenção do Suicídio. (2021). Manual de orientações para o atendimento à pessoa em risco de suicídio. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/183291/Manual-de-orientacoes-para-o-atendimento-a-pessoa-em-risco-de-suicidio.pdf/67c4072f-448f-d7d5-b049-73960ec1e73c?t=1648938681954.
Sousa, A. L. V., Ribeiro, I. G., Cordeiro, I. P., Amaral, L. V., Cruz, L. M., Pereira, L. F. A., Santos, M. C. C., Silva, M. E. L. B., & Spósito, P. A. F. (2023). Transtornos mentais e o período gestacional. E-Acadêmica, 4(2), e3042491. https://doi.org/10.52076/eacad-v4i2.491. DOI: https://doi.org/10.52076/eacad-v4i2.491
Souza, G. M., Oliveira, J. S., Nascimento, M. T., Silva, S. N., & Gaspar, V. C. O. (2025). Transtornos mentais na gestação e seus impactos na saúde da gestante e do feto: Uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, 8(3), e79987. https://doi.org/10.34119/bjhrv8n3-150. DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv8n3-150
Storino, B. D., Campos, C. F., Chicata, L. C. O., Campos, M. A., Matos, M. S. C., Nunes, R. M. C. M., & Vidal, C. E. L. (2018). Atitudes de profissionais da saúde em relação ao comportamento suicida. Cadernos Saúde Coletiva, 26(4), 369–377. https://doi.org/10.1590/1414-462X201800040191. DOI: https://doi.org/10.1590/1414-462x201800040191
Tourinho, J. G. (2006). A mãe perfeita: idealização e realidade: algumas reflexões sobre a maternidade: v1. Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.14903359.
Turato, E. R. (2013). Tratado da metodologia da pesquisa clínico-qualitativa: construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas (6a ed.). Vozes.
Uchôa, J. M. A., Landim, L. O. P., Sampaio, J. C., & Pinto, A. G. A. (2025). Atenção às demandas das pessoas com comportamento suicida na RAPS de um município do centro-sul do Ceará: saberes e práticas dos profissionais de saúde. Saúde e Sociedade, 34(2), e240383pt. https://doi.org/10.1590/S0104-12902025240383pt. DOI: https://doi.org/10.1590/s0104-12902025240383pt
World Health Organization. (2021). Comprehensive mental health action plan 2013-2030. Recuperado em 19 de setembro de 2025, de https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/345301/9789240031029-eng.pdf?sequence=1.
Yonkers, K. A., Wisner, K. L., Stowe, Z., Leibenluft, E., Cohen, L., Miller, L., Manber, R., Viguera, A., Suppes, T. & Altshuler, L. (2004). Management of bipolar disorder during pregnancy and the postpartum period. American Journal of Psychiatry, 161(4), 608-620. https://doi.org/10.1176/appi.ajp.161.4.608. DOI: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.161.4.608
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A licença CreativeCommons “Atribuição 4.0 Internacional" – CC BY permite "copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato e remixar, transformar e criar a partir do material, para qualquer fim, mesmo que comercial." Ainda de acordo com a licença CC BY, os autores devem "atribuir o devido crédito, fornecer um link para a licença e indicar se foram feitas alterações". Essas alterações devem ser indicadas sem sugerir que a Revista da SBPH apoie o seu uso. Mais informações sobre a licença em: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt






