Doenças e espaços de cura, escuta e ressignificação entre indígenas de Mato Grosso
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2025.v28.Esp_1.900Palavras-chave:
Rituais de cura, Medicina tradicional, Atitudes frente à morteResumo
Este estudo foi realizado na Terra Indígena Marãiwatsédé e propôs analisar o óbito de crianças até cinco anos e natimortos ocorridos em 2012 e 2013. O estudo fez uso de pesquisa qualitativa em saúde analisando os sentidos atribuídos pelos indígenas às mortes das crianças e o contexto socioambiental e de assistência à saúde em que ocorreram os óbitos. Foram utilizadas técnicas de observação e entrevista semiestruturada. A análise dos dados se deu à luz da interpretação de sentidos e o diálogo entre hermenêutica e dialética, proposta por Minayo. Frente ao adoecimento e à morte, as famílias buscaram um sistema de saúde eclético, combinando atividades de cura relacionadas ao setor informal e ao setor profissional de saúde, especificamente ao modelo biomédico. Os Xavante utilizaram um modelo explicativo sincrético nas definições de causalidade das mortes, conciliando elementos originários de diferentes modelos para atribuir sentido a elas. Ressalta-se a importância de analisar as mortes para além dos números, tornando compreensível o sentido do adoecimento e da morte para aqueles que vivenciaram os óbitos em seu cotidiano e, por meio de um diálogo intercultural, produzir respostas para o planejamento de ações adequadas ao contexto de acompanhamento de crianças e famílias ou de humanização da assistência em saúde indígena.
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