A encruzilhada da cena hospitalar

vozes de enfermeiras negras e uma práxis decolonial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2025.v28.Esp_1.906

Palavras-chave:

Psicologia social, Psicologia da saúde, Psicologia hospitalar

Resumo

Os feminismos interseccionais foram o cerne da pesquisa. Aqui, concebe-se a necessidade de problematizar as discriminações e opressões de gênero, raça, classe e categoria profissional como coexistentes, aliando-se ao conceito de colonialidade que fundamenta a estruturalidade destas opressões no trabalho multiprofissional no hospital. O objetivo foi analisar a percepção de enfermeiras negras com relação às hierarquias de saberes e poderes frente a hegemonia do saber médico a fim de identificar marcadores de colonialidade e decolonialidade utilizando-se da matriz metodológica de Martins e Benzaquen. Foram entrevistadas sete profissionais de enfermagem que atuam em unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Os dados obtidos nesta pesquisa foram expostos nos eixos de análise colonialidade e decolonialidade na saúde mental: vivências de enfermeiras negras em hospital psiquiátrico; “Veio a pandemia e a gente teve que se adaptar ao sistema!”: relações de trabalho entre equipe multiprofissional no cenário da pandemia do Covid-19; “Eu tenho a fama de ser um pouco transgressora!”: protagonismo de mulheres negras frente às hierarquias de saberes no hospital. Os quais revelaram os marcadores de colonialidade como eurocentrismo, autoritarismo, identidades que fixam/subjugam e hegemonia de um saber específico. Além de episódios de racismo institucional com pacientes psiquiátricos, interseccionando a discriminação de gênero e o estigma da loucura. As trabalhadoras negras da enfermagem foram agentes de uma práxis decolonial, promovendo articulações coletivas em prol da formação de redes de apoio interdisciplinares e confrontação da hegemonia de um saber específico. Com este estudo convocamos os psicólogos hospitalares para um processo de implicação ética e política com uma práxis decolonial no contexto hospitalar.

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Biografia do Autor

Amana Rocha Mattos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Instituto de Psicologia – IP, Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social – PPGPS.

Professora associada do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social (PPGPS/Uerj). Possui Graduação em Psicologia , Mestrado e Doutorado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordena o DEGENERA - Núcleo de Pesquisa e Desconstrução de Gêneros/UERJ. É pesquisadora Procientista da Uerj desde 2019 e Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ); Editora chefe da revista Estudos e Pesquisas em Psicologia de 2020 até o presente momento.

Maria Cecília Izidoro-Pinto, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Escola de Enfermagem Anna Néry – EEAN, Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica

Doutora em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem Anna Néry (Universidade Federal do Rio do Janeiro – UFRJ). Professora Associada do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica.Coordenadora da Liga Acadêmica de Enfermagem em Saúde da População Negra. Membro da Câmara de Políticas Raciais da Comissão de Heteroidentificação da UFRJ. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas E’léékò: agenciamentos epistêmicos, descoloniais e antirracistas (UniversidadeFederal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)).

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Publicado

11-09-2025

Como Citar

Mathias, P. P., Mattos, A. R., & Izidoro-Pinto, M. C. (2025). A encruzilhada da cena hospitalar: vozes de enfermeiras negras e uma práxis decolonial. Revista Da Sociedade Brasileira De Psicologia Hospitalar, 28(Esp), e003. https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2025.v28.Esp_1.906