Relações entre prematuridade e constituição subjetiva do neonato
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2026.v29.926Palavras-chave:
Psicologia Médica, Unidades de Terapia Intensiva, Neonatologia, PsicanáliseResumo
O presente artigo tem como objetivo expor uma revisão crítica da literatura produzida nos últimos dez anos pelo campo da Psicologia, acerca dos impactos da prematuridade nos processos de constituição subjetiva do neonato, considerando a perspectiva psicanalítica. A hipótese que norteou esse estudo foi de que o nascimento prematuro, no cenário dos cuidados intensivos neonatais em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal – UTIN, pode constituir fator de risco psíquico para os processos de instauração do sujeito, encaminhando-o na direção de psicopatologias. Foram encontrados poucos artigos sobre o assunto, sendo que destes, a maioria utilizou o protocolo Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil – IRDI. Os resultados de tais pesquisas não foram unânimes, de modo que aquelas realizadas durante o período em UTIN concluíram que a prematuridade não prejudicou a constituição subjetiva. Já três estudos quantitativos realizados após a alta hospitalar, assinalam uma frequência maior de risco psíquico associada a prematuridade, que pode ser agravada com a passagem pela UTIN. Por fim, as revisões de literatura demonstram impactos da prematuridade no desenvolvimento global, privilegiando aspectos organicistas. Assim, conclui-se ser necessária a realização de maiores investigações acerca do tema, sobretudo no campo da Psicologia, onde tais pesquisas se revelam escassas, bem como destaca-se a importância da presença do profissional psicólogo nesse contexto, favorecendo intervenções precoces a favor do desenvolvimento psíquico do neonato.
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