A criança idealizada e o luto parental
vivências frente às malformações congênitas
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2026.v29.931Palavras-chave:
Anormalidades Congênitas, Poder Familiar, LutoResumo
O período da gestação é um momento no qual os pais nutrem expectativas em relação ao bebê. Ao se deparar com o bebê real, essa idealização confronta-se com a realidade e os pais vivenciam o luto pela criança idealizada. No caso de diagnósticos de malformações congênitas, essa experiência se torna desafiadora, impactando o vínculo parental e a adaptação à realidade. O presente estudo objetivou investigar a vivência dos pais diante do luto pela criança idealizada após o diagnóstico de malformações congênitas, analisar o discurso parental sobre o vínculo com a criança, as estratégias de enfrentamento adotadas e a compreensão dos cuidados necessários à criança. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, transversal e de natureza descritivo-exploratória. Foi aprovada em comitê de ética sob o nº CAAE: 76954024.7.0000.0096. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas com seis participantes. A amostra incluiu pais e mães biológicos, de crianças diagnosticadas com malformações congênitas após o nascimento, que estavam internadas em hospital universitário. As entrevistas foram analisadas por meio da técnica de Análise de Conteúdo, em seis categorias temáticas: 1) entre o ideal e o real: a jornada do luto parental; 2) modulação da experiência parental através do diagnóstico; 3) influência do suporte social na vivência experienciada pelos pais; 4) compreensão do cuidado parental em crianças com malformações congênitas; 5) maternidade idealizada: desafios e silêncios; 6) enlace familiar: construindo relações com a criança real. Os resultados evidenciaram que o diagnóstico desencadeia sentimentos de perda, frustração e culpa, mas, com o tempo, muitos pais conseguem ressignificar a vivência e fortalecer o vínculo com a criança. O modo de comunicar o diagnóstico mostrou-se crucial, assim como o suporte emocional de equipes de saúde e redes de apoio. Concluiu-se que respeitar o processo de cada família e estimular o envolvimento precoce nos cuidados hospitalares facilitaram a vinculação parental.
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