Os cuidados paliativos e a atuação em psicologia hospitalar
um estudo teórico sob a perspectiva da análise institucional
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2026.v29.960Palavras-chave:
Análise Institucional, Cuidados Paliativos, Psicologia MédicaResumo
O presente estudo teórico objetiva identificar as demandas institucionais da psicologia no contexto hospitalar e as potencialidades instituintes de suas intervenções de cuidado a pacientes sem prognóstico de cura. Foi realizada uma análise institucional que tomou como referência as práticas da psicologia hospitalar voltadas aos cuidados paliativos. O uso dos analisadores “centralidade do poder médico”, “papel da psicologia na instituição hospitalar” e “cuidados paliativos como priorização da pessoa e sua saúde” possibilitou compreender os paradigmas de promoção da saúde e remediação da doença, principalmente em processos de priorização da qualidade de vida e da finitude, considerando a prática psicológica na paliativação como promotora do cuidado à vida na previsibilidade da morte. A análise evidenciou que a centralidade do saber médico e a organização hospitalar orientada predominantemente pela lógica da cura produzem tensionamentos que restringem a consideração da subjetividade do paciente e de seus familiares. Em contrapartida, os cuidados paliativos emergem como movimento instituinte capaz de deslocar o foco da doença para a pessoa, favorecendo práticas interdisciplinares, a valorização da escuta psicológica, o cuidado às equipes de saúde e a humanização da assistência diante da terminalidade. Dessa forma, pode-se concluir que a psicologia pode colocar em questão a instituição hospitalar fundada no princípio da cura, sendo o cuidado paliativo o ponto de inferência na atenção à saúde que centraliza o sujeito na intervenção em detrimento da cura da doença.
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