Construção de vínculo e possibilidade de luto em Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.17.339Palavras-chave:
luto, pais e filhos, vínculo efetivo, neonatologiaResumo
O presente trabalho é um relato de experiência profissional que torna possível a reflexão sobre o trabalho desenvolvido de 2007 a 2013 pela equipe de psicologia da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB). Trata-se de uma análise crítica sobre o trabalho do psicólogo em uma unidade de atendimento a recém-nascidos, fortemente marcada pela urgência e gravidade, pela tecnologia e pela exigência de precisão nos atendimentos. Lugar de encontros e desencontros, onde a possibilidade de morte do recém-nascido é uma constante na vida dos seus pais. Essas reflexões englobam a possibilidade de vinculação afetiva entre os pais e recém-nascidos, assim como a vivência de luto que marca esse contexto e que impõem elaboração por parte dos pais. A partir da análise, propõe-se um lugar possível para a fala e para o acolhimento de pais que diante da prematuridade de um filho e da iminência de morte que alguns casos evocam veem-se confrontados com um limite radical. Assinalamos que a escuta do psicólogo possibilita um trabalho de elaboração dessas questões a partir da fala, facilitando a vinculação dos pais aos seus filhos, o enfrentamento da hospitalização e a abertura ao trabalho de luto.
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