Interdição da família em UTI-Covid-19 e atenção ao luto
uma experiência psicanalítica
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2026.v29.950Palavras-chave:
Luto, Psicanálise, Família, Hospitais, COVID-19Resumo
Este relato de experiência profissional orientada pela psicanálise analisa a vivência das restrições de contato entre pacientes e familiares e suas repercussões para o trabalho de luto no contexto brasileiro das hospitalizações por Covid-19, tomando Unidades de Terapia Intensiva – UTI e teleatendimentos como cenários assistenciais de referência. A angústia e a solidão que atravessaram os pacientes hospitalizados, muitos deles em processo de terminalidade da doença, os fluxos e as obstruções da participação da família nos processos de cuidado e nos rituais de despedida e as particularidades do discurso de familiares enlutados nesse contexto de restrições sanitárias e funerárias e de distanciamento social constituem os eixos estruturantes deste trabalho. Ressalta-se a importância da ampliação de espaços e da diversificação de estratégias de cuidado multiprofissional na rede de atenção à saúde mental que favoreçam o trabalho de luto, de modo a fazer frente à sua farmacologização crescente e indiscriminada e a produzir respostas coletivas face aos danos decorrentes da gestão política da crise sanitária a que foram expostos.
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