Psicólogo residente em foco
as repercussões psíquicas de atendimentos em UTI
DOI:
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2025.v28.812Palabras clave:
Internato e residência, Psicanálise, Unidades de terapia intensivaResumen
Este artigo investiga as repercussões psíquicas vivenciadas por psicólogos residentes após atendimentos em um hospital terciário no Sul do Brasil. A motivação surgiu da experiência pessoal da pesquisadora como residente, ao perceber sintomas como pensamentos recorrentes sobre os atendimentos, insônia, sonhos perturbadores, dores físicas, ansiedade e angústia. A partir dessa vivência, surgiu a pergunta central: existe uma relação entre essas repercussões e a dificuldade no manejo clínico? Para responder a essa questão, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com cinco residentes de psicologia. Os critérios de inclusão foram ter realizado ao menos um atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e o de exclusão foi estar em processo de análise pessoal. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do hospital. A análise dos dados seguiu o método clínico-qualitativo fundamentado na psicanálise. Os resultados se organizaram em três categorias principais. A primeira aborda os efeitos do ambiente da UTI, destacando a presença intensa de tecnologia, a fragilidade dos pacientes, o ritmo acelerado e o volume de demandas como elementos que geram angústia nos residentes. A segunda categoria refere-se aos sentimentos de identificação, ressaltando a predominância das dimensões do Imaginário e do Real, o que dificulta a sustentação do desejo do analista e a articulação com o Simbólico. A terceira e última categoria aponta a solidão como um sentimento marcante entre os residentes e um traço da contemporaneidade. Como consideração final, o estudo sugere a importância da criação de espaços institucionais de acolhimento no ambiente da residência, como supervisões em grupo e momentos de pausa formalizados, que possam favorecer a reflexão coletiva, o compartilhamento de experiências e a elaboração dos afetos mobilizados nos atendimentos em UTI.
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