O Eu e a face operada
construções psicanalíticas a partir da cirurgia ortognática
DOI :
https://doi.org/10.57167/Rev-SBPH.2026.v29.864Mots-clés :
Chirurgie orthognathique, Psychanalyse, Psychologie, Chirurgie orale et maxillo-faciale, Modifications corporellesRésumé
La chirurgie orthognatique est une intervention reconstructive indiquée pour les personnes souffrant de troubles de la croissance et de déformations craniofaciales, dans le but de restaurer les aspects fonctionnels et esthétiques du système stomatognathique. Bien que son efficacité soit largement étayée par la littérature scientifique, les effets psychologiques de cette procédure restent sous-explorés. Des outils tels que le B-OQLQ ont été utilisés pour évaluer la qualité de vie des patients en pré et post-opératoire, mais ils sont insuffisants pour appréhender les aspects inconscients liés à l'irréversibilité des transformations faciales. Cette étude propose un lien entre les domaines de la chirurgie orthognatique et de la psychanalyse, en adoptant l'épistémologie de Thomas Kuhn (1962/2017) comme axe théorique pour promouvoir un dialogue entre les différents types de connaissances et enquêter sur les spécificités psychiques de ces sujets. La métapsychologie freudienne a fourni le cadre nécessaire à l'analyse des processus subjectifs mobilisés tout au long du processus chirurgical, en mettant l'accent sur l'élaboration de la demande d'intervention, la réactivation de registres psychiques archaïques - tels que l'expérience de l'œdème facial renvoyant à des traits infantiles et l'imposition d'un régime alimentaire liquide - et la demande de réintégration du corps et de la psyché dans une unité somatopsychique cohésive. Sur la base du cadre théorique proposé par Lemma (2010), le désir inconscient qui sous-tend la recherche de transformations corporelles a été examiné, ce qui s'est avéré fondamental pour comprendre les changements subjectifs impliqués dans ce processus. La conclusion est que le dialogue entre les connaissances chirurgicales et psychanalytiques permet d'élargir les soins postopératoires, en dépassant les limites de la fonctionnalité physique et en prenant en compte les dimensions psychiques impliquées dans l'expérience du patient de manière plus complète.
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